Tolstói a qualquer hora
“Tolstói é o maior de todos os narradores”, assim Virgínia Woolf o define.
Ainda que não seja uma verdade absoluta, também está longe de ser um absurdo. As opiniões acerca de quem é o melhor obviamente variam e nunca convergiram para um consenso, pois uma afirmação deste tipo precisa ser contextualizada, uma vez que não existe o autor sem o leitor. E quem julga é o leitor.
Bem, o fato é que Tolstoi é uma leitura envolvente não apenas pelo inegável poder narrativo - e isso sim se pode afirmar - mas pela sensibilidade com que ele constrói seus personagens. Seja qual for o contexto, seja qual for o conflito, seja qual for o caráter, Tolstói é preciso em todos.
Recentemente li, assim meio que por acaso, “Felicidade Conjugal”, novela maravilhosa reunida em conjunto com “O Diabo” em uma edição da L&PM. Um livrinho de dez ou doze pilas que adquiri num dia em que estava de bobeira sem nada pra ler.
E é essa a dica: está de bobeira? quer satisfação garantida? Tolstói é o cara. Ou ao menos é um deles.
Julho 10, 2008 às 2:18 pm
Concordo que Tolstói é um dos melhores contistas da literatura mundial, a precisão e a concisão de sua prosa nos faz acreditar que para escrever existe um tal *talento* que nem anos e anos de trabalho podem desenvolver. Taí o pudor que tenho em retirar da gaveta o que ouso escrever.
Voltando a Tolstói: Tristeza é um dos seus contos que mais se aplica a grande definção de Poe: o melhor conto é aquele escrito com a máximo de efeito e um mínimo de recursos. Isso é talento, não?
abraço,
Julho 16, 2008 às 1:49 am
Não conheço este conto que tu mencionaste, mas vou procurar. Até porque este é meu gênero preferido e gostaria de ver como Tolstoi se sai neste modelo.
Concordo que alguns autores parecem abençoados e que escrevem com uma facilidade espantosa, mas isso não deve ser um obstáculo para os outros. Acho que tirar os textos da gaveta é uma forma de evoluir como escritor.
Leia o que Rilke fala a respeito de escrever em um post mais antigo (sob o título de “Aos Iniciantes”)neste mesmo blog. Mais do que ter talento escrever deve ser uma necessidade.
Um abraço,
Leo