Disseminando Moeda-Corrente

      Podem acreditar: tem gente nova manufaturando boa literatura – um livro de qualidade, caso eu tenha sido meio solto. Encontrei um que me deixou uma pessoa apaziguada neste fim-de-ano. No meu caso, nem precisei disseminar muita moeda-corrente, pois obtive o meu exemplar de maneira emprestada. Na verdade uma amiga me entregou “Tudo se Ilumina” de Jonathan Safran Foer e ordenou que eu lêsse, pois ela informou que era um livro inordinário.

      É mais ou menos assim que Alex, o narrador apaixonante criado por JSFoer descreveria o livro de estréia do autor. Alex, um jovem ucraniano – que me fez lembrar de Holden Caufield o tempo todo – conta em seu inglês limitado (daí a forma de falar estranha que nos sugere uma tradução mal feita como a do parágrafo acima) a viagem que o autor fez àquele país a procura das raízes de sua família.

      Jonathan pretendia realizar (ou manufaturar, como diria Alex) um livro de conteúdo histórico resgatando a origem da família Safran há 8 ou 9 gerações. Ocorre, que ele – que de fato realizaou a viagem – não obteve referências suficientes para construir uma obra histórica. As informações – e as pessoas que poderiam reconstituir a saga – perderam-se após o ataque nazista ao povoado onde seus ancestrais mais remotos teriam vivido. Assim, Jonathan viu-se obrigado a rechear os fatos reais desconexos entre si, com fatos fictícios fabricados pelo autor que justificariam as personalidades de seus antepassados e, de certa forma, a dele próprio.

    O resultado é um livro emocianante e divertidíssimo, que através de três figuras narrativas distintas (a voz de Alex, o próprio texto de Jonathan e as cartas de Alex enviadas a ele) conta aquilo que poderia ter sido a história de uma família, da qual ele representa o presente, através de três séculos.

      Compre o livro, pegue emprestado, procure em uma biblioteca, mas leia. Me contem se conseguiram parar depois de terem lido a primeira página.

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2 Respostas to “Disseminando Moeda-Corrente”

  1. Caro LEONARDO COLUCCI,

    um dos parâmetros que uso para mim, para dizer que um livro tem uma janela a mais, é quando ele nos remete a outro livro ou a uma personagem de outro livro – que foi o caso deste “Tudo se Ilumina”, de J. S. Foer (não o li), o qual, segundo você mesmo – levou-o ao tão decantado apanhador de centeios e lendas, o Caufield.

    Bela postagem. Um abraço.
    Darlan M Cunha

  2. É Darlan, este livro – o apanhador – influenciou muita gente. Uma delas, com certeza, foi o Safran aí.
    Eu sou fã do Holden e de tudo que dele derivou.
    Um abraço,
    Leo

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