Cinqüenta anos de estrada

Muita gente torce o nariz para a literatura beat. De fato não se encontra primor literário nas obras produzidas pelos beatnicks. Escrevem com desleixo, sem preocupações estéticas e penetram pouco na psicologia humana. Mas e daí? São livros inspiradores. E isso basta. 

Jack Kerouac, talvez não tenha sido o mais importante representante deste movimento — essas coisas sempre são controversas —, mas On the Road — que este ano completa meio século de sua publicação — é o grande marco daquela geração. É meu livro de cabeceira; daqueles que podem ser abertos ao acaso e fornecer algum combustível para a noite ou (cuidado!) para a vida toda.  

Bem, On the Road, chega aos cinqüenta anos com sua reputação transgressora inabalada. E já não importa mais se ele representa uma época de contestação e rebeldia, que teve seu ápice nos anos 60 e arrefeceu. É um livro ainda capaz de causar uma revolução.  

[…]

“as únicas pessoas que me interessam são as loucas, as que são loucas por viver, loucas por falar, desejosas de tudo ao mesmo tempo, as que nunca bocejam ou dizem uma coisa do senso comum … mas queimam, queimam, queimam como rojões através da noite”. 

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7 Respostas to “Cinqüenta anos de estrada”

  1. A grande sacada do Kerouac foi possibilitar o homem comum de viver grandes aventuras. Saem os épicos da literatura clássica e entra em cena uma nova atitude: cair na estrada pode ser um grande feito, tomar uma ceva num bar também… além das viagens interiores, que também requerem grande coragem.

    Um abraço, Fingerman!

  2. É isso aí, Sartana!
    Muito do que nos uniu teve origem nas idéias desses caras. A outra parte vem de algum lugar próximo ao delta do Mississipi.
    Um abraço!
    Fingerman

  3. Leo,

    Estou adorando teu blog, tuas idéias e comentários.

    Temos que temos que temos que reunir as pessoas inventaristas e continuar escrevendo e lendo!

    Beijo
    C.

  4. Bolívar Says:

    Sejamos sinceros: Kerouac é por demais superestimado.
    Tirando fora “On the road”, exclusivamente pelo marco no movimento de contracultura na época, o cara produziu uma obra repetitiva e muito chata. Com relação aos seus méritos literários, concordo com o polêmico Capote , que dizia “Não é literatura, é datilografia”.
    Podem bater, mas não é toda essa cachaça que dizem.

  5. lmcolucci Says:

    O Capote é um chato egocêntrico. Embora muito inteligente sua frase está carregada de preconceito formalista.

    Ok, não estamos falando de uma literatura regrada, mas é justamente essa a proposta de Sal Paradise (Kerouac); não seguir regras.

  6. Bolívar Says:

    Como estou com um tempinho sobrando, vou praticar a arte da discordância: que mania as pessoas tem de alegar preconceito quando não há o mesmo entusiasmo com relação as suas preferências sobre estilo, livro ou autor! O cara pode simplesmente não gostar e ponto final. Em algum lugar eu já li (e concordei) que na biblioteca, e em todo lugar na vida, não tem essa de vaca sagrada, não.
    Com relação ao Capote, não posso afirmar ou contestar se era mesmo um chato. Li somente “A sangue frio” e gostei bastante. Pelo pouco que conheço de sua história, tenho de concordar que o cara era egocêntrico, além de venenoso e narcisista. Mas ele podia…
    Abraço,
    Bolívar

  7. Bolívar: para mim, livro (ou autor) bom é aquele cuja estória mexe com as pessoas de alguma maneira. Faço uso das tuas palavras para justificar a admiração por Kerouac: “o cara pode gostar e ponto final”.
    Guarde as pedras no alforje e, da próxima vez, cuidado ao emitir sua opinião como se fosse uma sentença. Que tal começar por “na minha opinião”…

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