Quixote Mexicano

David Toscana ficou conhecido no Brasil após sua participação na Flip há alguns anos. Na ocasião estava sendo lançado no Brasil “O Exército Iluminado”, o qual era comparado a obra de Cervantes. Obviamente os dois romances não se equivalem em importância histórica ou literária, mas sim na trama ou carater de seus personagens, ou melhor ainda, a causa dos protagonistas é de certa forma semelhante.

O auto-denominado General Ignacio Matus – na verdade um professor de história (ou seria de geografia) – inconformado com a tomada do território mexicano pelos americanos, liderou uma revolta armada para tomar devolta as terras que pertenciam ao seu país ainda que isso tivesse acontecido quase um século antes.

O Exército Iluminado trazia em suas fileiras apenas 5 jovens soldados recrutados em um instituto para crianças com problemas mentais. O General Matus os fez sentirem-se de fato especiais, pois, pela primeira vez oferecia àquelas quase crianças algo de que pudessem se orgulhar, ao contrário de “ficarem pintando circulos e quadrados” o dia inteiro.

Outra excentricidade interessante do general foi a maratona imaginária que ele disputou nos jogos de Paris em 1928. Enquanto os atletas olímpicos corriam pelas ruas francesas, Matus percorria os mesmos 42.195 metros na cidade de Monterrey. O professor mexicano completou a prova com um tempo que o colocaria em terceiro lugar na prova parisiense, ao que passou a importunar por carta o corredor americano laureado com bronze para que lhe mandasse a medalha pelo correio.

Ainda que o autor escorregue em algumas passagens onde o raciocínio e, até mesmo o vocabulário, atribuído aos iluminados seja incompatível com o tipo de limitação que eles tinham, é uma leitura muito agradável e de personagens cativantes.

Dentre os iluminados o mais bravo é o Gordo Comodoro, incapaz de entender as regras de uma partida de dominó, mas disposto a cumprir o seu papel na batalha contra os ianques e ser eternizado como herói nacional.

Comodoro me fez lembrar Macário, o garoto criado por Juan Rulfo – magnífico contista mexicano – em um conto de mesmo nome no seu livro “O Planalto em Chamas”. Macário também tem uma percepção diferente da realidade por causa de seus problemas mentais e me parece bem provável que ele tenha influenciado a construção dos iluminados.

Anúncios

2 Respostas to “Quixote Mexicano”

  1. seu nojento, tu vai responder os emails q te mando ou vai querer imitar o Dalton Trevisan? to querendo reler aqueles teus contos que tu tava arrumando… bjoca, aparece.

  2. Emir, ou tu tá me trovando ou tá mandando pro e-mail errado. Há horas não recebo nada de ti nem do resto da turma – “Ninguém escreve ao Coronel”.
    Um abraço,
    Leo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: