Sobre Diálogos

O uso de diálogos em narrativas literárias sempre me pareceu uma ferramenta poderosa na hora de revelar a personalidade de um personagem. Talvez uma forma de pensar a narrativa de ficção sob o prisma do cinema e, mais ainda, do teatro, onde os diálogos são fundamentais.
Assim, sempre refutei as teorias de que o uso do diálogo empobrece o texto e que seria um recurso de autores preguiçosos ou inábeis. Me parecia um certo preconceito.
No entanto, ao ouví-la (a teoria sobre diálogos) de críticos nos quais passei a confiar, resolvi examinar mais atentamente o tema.

Pois bem, ao ler “O sol também se levanta” de Hemingway, entendi o porquê dessa corrente crítica. A capacidade de Hemingway é inegável e notória, assim como “O Sol também…” é um clássico incontestável. Porém, mesmo um mestre como o Hemingway – e numa obra como esta – nos deixa a sensação de que poderia ter feito melhor se reduzisse os diálogos e investisse mais na narração. O livro parece ter sido escrito como roteiro de cinema – e talvez tenha sido, pois foi filamado em 57 pouco tempo após a sua publicação. Sensação estranha…

Por outro lado, há autores que utilizam muito bem este recurso, como Fante por exemplo -, que parece aplicá-lo na medida certa, pois o texto não parece que ficaria melhor sem os diálogos. 

Portanto, use com moderação. Ou lembre-se de Pedro Romero, o toureiro de “O Sol Também se Levanta”, e tenha a sensibilidade de fazer as escolhas certas em cada situação.

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