Porto Alegre em Chamas

Durante todo mês de fevereiro os termômetros no Rio Grande do Sul acusaram o calor abrasador em torno do paralelo 30. E quando parecia que março tinha vindo pra arrefecer, eis que as chamas voltaram. Sentir calor é natural, descrevê-lo já é um pouco mais difícil.

Na literatura ninguém foi tão competente em descrever situações de extremo calor quanto o mexicano Juan Rulfo.

Os contos reunidos em “Planalto em Chamas” (ou Chão em Chamas, em algumas traduções) fazem o leitor transpirar, desidratar, sufocar com o calor opressivo a que estão submetidos os personagens da maioria dos 15 contos do livro. Na obra de Rulfo tudo remete a situações de um desconforto térmico. Através de uma leitura atenta — além da história aparente — pode-se perceber aquilo que em literatura se chama de significante. Isto é, várias referências que orbitam em torno do significado que, neste caso, é o calor. Encontra-se com freqüência palavras como: brasas, vapor, quente, sol.

Rulfo é uma das leituras fundamentais para quem gosta do gênero conto, mas não recomendável para esta época do ano. Enquanto o calor não der trégua, talvez um dos autores do frio seja mais prazeroso. É isso; Tchekhov para refrescar no verão e Rulfo para aquecer no inverno.

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