Solidão Continental

Muitos bons autores  revelam ter uma dificuldade tremenda em escolher o título de suas obras. Algumas editoras tem profissionais especialistas neste quesito que estão ali tão somente para avaliar, sugerir e ajudar editores e escritores a nomear textos ou livros. Talvez este tenha sido o caso da mais recente publicação do gaúcho João Gilberto Noll em seu “Solidão Continental” lançado pela editora Record.

Além de um bom apelo mercadológico, pois o título instiga, provoca, na medida em que prepara o leitor para um estado de solidão grandioso, perene, maior do que os sentimentos comuns. E a isso, o enredo é inteiramente fiel. Noll nos apresenta um protagonista que narra seus relacionamentos fracassados nos 3 continentes americanos. Descobrimos um homem de meia-idade percebendo-se fadado à solidão após inúmeros relacionamentos sempre complicados.

Mas uma outra análise pode ser feita: Para quem é morador de Porto Alegre, a narrativa ganha outra significação. Acompanhando a trajetória do protagonista na sua auto-conscientização de que está só, visitamos lugares conhecidos da cidade onde ocorrem os momentos mais tensos e tristes da trama. E é aí que se entende um outro aspecto desta solidão que pode ser continental, na medida em que ao nosso lado pode estar uma pessoa vivendo um drama pessoal semelhante sem que ninguém, no ritmo apressado da cidade grande, ou no simples egoísmo de cuidarem apenas da sua própria vida, perceba e lhe ofereça qualquer tipo de solidariedade.

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