Síndrome de Macbeth

Macbeth foi apenas mais um a ceder à tentação de abandonar seus escrúpulos em favor da ambição, da cobiça pelo poder. Uma ganância típica daqueles que querem sempre mais, mesmo quando não precisam.

Na tragédia de Shakespeare, o valoroso General do exército escocês, tem seus préstimos militares reconhecidos pelo Rei Duncan, justo e respeitável soberano daquele povo.

Macbeth, que tem a admiração de todos os nobres do reino, fica envaidecido após ouvir o vaticínio pouco acreditável das bruxas do pântano sobre um futuro de luxo e poder que o aguarda onde lhe estaria reservado o trono do próprio Rei.
Seduzido pelo que vislumbra, espera que a profecia se cumpra sem, porém, planejar abreviar o curso natural que o levará ao topo. Ele está acostumado ascender por seus próprios méritos.

Lady Macbeth, no entanto, não está disposta a esperar e desperta esta urgência no marido. A partir daí, ainda que vacilante no início e com um pequeno conflito com sua consciência, Macbeth leva a cabo o plano funesto de eliminação de todos os adversários. Inflado pela esposa, uma das primeiras e maiores vilãs da literatura, inicia uma matança tão descuidada e arrogante que não tarda a ser desmascarado — apesar de toda a sua reputação.

O pobre tirano mal pôde usufruir das benesses da nova posição. Pois quando os descendentes do rei Duncan, tomam o castelo para matar Macbeth encontram-no fora de seu juízo, enlouquecido pela culpa dos crimes que cometera e assombrado pelo fantasma de Banquo, um rival assassinado.

Construída à moda das tragédias do teatro grego, a peça de Shakespeare deixa como mensagem que se o homem não pode escapar ao seu destino, também não se deve antecipar a chegada interferindo em seu curso com atitudes maléficas, mesquinhas ou egoístas. Os deuses podem punir.

Uma boa reflexão para a crise ética que tem motivado atitudes em vários segmentos. Repare bem, talvez haja um Macbeth por perto pronto para fraquejar em seus valores na primeira oportunidade de conseguir vantagem pessoal.

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