Brilhante como a chuva

A boa literatura não precisa de histórias impressionantes ou finais surpreendentes. Muitos autores de boa prosa sofrem por não entender isso e empenham-se – às vezes uma vida inteira – em criar “a” história. Uma espécie de dependência que reprime o talento e gera frustração em autores, leitores e editores.

Alguns, felizmente, dedicam-se a narrar. E é esse o caminho escolhido há tempos pela gaúcha, Cintia Moscovich.

Em “Essa coisa brilhante que é a chuva” – Ed. Record, que rendeu à autora o Premio Portugal Telecom de literatura, temos a amostra mais recente da linguagem rica, cuidadosa e detalhista de Cintia. Opção que reafirma a tese se criou desde os tempos de Tchekhov; o bom escritor é aquele que extrai grandes histórias de fatos cotidianos.

A leitura de “Essa coisa brilhante…” flui de maneira agradável, mas perturbadora. Não é uma leitura leve, pois não se passa indiferente por ela, mas é a mais pura expressão do fazer literário.

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