Assim nascem os blues – Cena V: Sobre Mãe e Pai

O garoto se criou solto no mundo. Aos 9 anos já morava sozinho em uma choupana sem água ou luz. Apenas uma cobertura precária lhe servia de teto e paredes sem portas ou janelas lhe davam a privacidade e a segurança suficiente para que pudesse viver com algum conforto.

Orgulhoso, não aceitava ajuda se percebia que o faziam por pena ou compaixão. Porém, não recusava quando amanhecia em sua porta algum alimento. Nesta hora agradecia a Deus pela comida – como lhe ensinara sua mãe -, e pedia por dias melhores. Ganhava a vida com criatividade e sem muito esforço. Ainda criança, sobrevivia às custas de doações e esmolas. Não almejava ir para a escola. Queria é ser livre para andar por aí. Já adolescente, faturava boas somas oferecendo seus préstimos sexuais a senhoras e senhores que o procuravam para aliviar suas urgências, mas foi quando encontrou um velho violão em suas excursões pelos lixos da cidade que descobriu o seu caminho.

Escreveu os blues mais tristes e raivosos que já se viu.

Sempre melancólicos quando cantava à memória de sua mãe e sórdidos quando a inspiração era o pai.

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