Assim nascem os blues – Cena IX: Selvageria na raiz do blues

O pobre homem estava prestes a ser espancado por um grupo de valentões que implicaram com a displicência com que ele caminhava. Devia ter ignorado as provocações e seguido adiante. Como não discernisse entre cortesia e ofensa — dado o seu estado de embriaguez —, irritou o trio que o insultava por conta da sua cor e do aspecto de suas roupas. Tornou-se uma vítima fácil da covardia dos cidadãos cuja existência tanto lhes incomodava.

Quando o corpo do homem jazia inerte sobre o chão duro, ainda a receber golpes e raivosos pontapés, um pequeno grupo de amigos que — pela providência divina — passava no momento intercedeu e afastou os agressores antes que levassem a cabo seu descabido intento.

Este grupo de amigos acabara de sair de um clube e vinha comentando com entusiasmo sobre a performance de um talento, mas ainda desconhecido, bluesman. “Ele tem o blues”, disse um. “Que controle de ritmo”, emendou o outro. O debate foi interrompido pela gritaria eufórica do espancamento que vinha da esquina. 

E para surpresa dos jovens justiceiros, perceberam que o rapaz que eles acudiram era o mesmo que há menos de uma hora os encantara no palco do clube blue night.

Um comentário sobre “Assim nascem os blues – Cena IX: Selvageria na raiz do blues

  1. Magno Charrua setembro 8, 2021 / 11:03 pm

    Maravilha de cena!
    entre estas e outras o blues esvaiu-se em som por entre as mascaras dos imbecis!

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