Archive for the Latino-americana Category

Eles sabem o que dizem VIII

Posted in Gotas de Literatura, Latino-americana, literatura with tags , on maio 16, 2017 by Leonardo Colucci

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“O punhal se amornava sobre seu peito e por baixo batia a liberdade escondida.”

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— Julio Cortazar em “A Continuidade dos Parques”

Gabriel Garcia-Márquez – *06.03.1927 +17.04.2014

Posted in Latino-americana, literatura with tags , , , on abril 17, 2014 by Leonardo Colucci

“A vida não é o que se viveu, mas sim o que se lembra, e como se lembra de contar isso.”

GGMarques

O livro ou o filme? Os dois

Posted in Cinema, Latino-americana, literatura with tags , , , , on março 9, 2014 by Leonardo Colucci

Toda a vez que se leva um livro para o cinema – seja uma adaptação livre, ou uma versão que se propõe a ser fiel à obra – abre-se a discussão: qual é melhor, o livro ou o filme? Essa discussão é inútil, se entendermos que são duas formas diferentes de arte (com recursos diferentes, linguagem diferente e, sobretudo, um formato totalmente distinto).

Em “A contadora de filmes”, do chileno Hernán Rivera Letelier, essa conversão entre as duas linguagens, se dá no caminho inverso.

No romance, que tem lugar em um povoado de mineiros no deserto do Atacama, a  menina, Maria Margarita, é uma habilidosa narradora de filmes que alcança popularidade na comunidade miserável que sobrevive em torno das minas de sal.

O ofício começa quando, após uma competição entre irmãos, ela é escolhida pelo pai para assistir às sessões de cinema tão logo uma fita nova chega ao vilarejo. O orçamento da família, não permite que todos paguem pelo ingresso, então a menina recebe a missão de contar o filme com a máxima riqueza de detalhes assim que retorna pra casa.

Aos poucos a narradora desenvolve recursos cenográficos e técnicas de interpretação que a tornam popular pela habilidade dramática e a forma envolvente que os clássicos do cinema americano e mexicano.

A sala da casa passa a receber uma audiência cada vez maior e muitos dizem preferir ouvir o filme contado pela garota a assisti-lo na sala de projeção. Embora não admitam, a linguagem complexa do cinema nem sempre é compreensível para aquela comunidade humilde. Desta forma, o filtro aplicado por Maria torna a trama de fácil interpretação, mesmo para aqueles com alcance intelectual limitado.

Com fim da exploração nas minas o vilarejo vai sendo abandonado e Maria termina por ser a única habitante da cidade fantasma, esquecida pelo mundo, assim como o cinema da época perdeu espaço para a televisão.

Há notícias de que o livro será adaptado para o cinema por Walter Salles, o que encerrará o ciclo iniciado por Rivera Letelier: o filme que vira livro e que torna a ser filme outra vez.

A seguir um flash da trama na voz da própria narradora:

“Acho que no fundo eu tinha alma de fuxiqueira, pois além de tudo me bastava bater os olhos nas duas ou três fotos pregadas no cartaz – pelo olhar lascivo do padre, o sorrisinho inocente da menina ou o gesto cúmplice da beata – para poder inventar uma trama, imaginar uma história inteira e passar o meu próprio filme.”

Música para ouvir na estrada IV

Posted in Latino-americana, Música with tags , , , , , on fevereiro 25, 2014 by Leonardo Colucci

Para compor as canções do album “12 segundos de oscuridad”, Jorge Drexler, refugiou-se na costa uruguaia. Escolheu Cabo Polonio, um lugar único e com uma energia inspiradora.

12 segundos é o tempo em que o cabo fica na escuridão enquanto o facho iluminado do farol, única fonte de luz do vilarejo, dá a volta em torno de si.

Dirigir para o sul, ouvindo as melodias de Drexler não dá pressa em chegar.

As doze faixas do cd  podem ser conferidas no link à seguir.

Novas opções para ler Cortázar

Posted in contos, Latino-americana, literatura, Literatura Fantástica with tags , , , , on setembro 5, 2013 by Leonardo Colucci

Algum problema de direitos autorais (provavelmente) impedia que a obra do autor argentino fosse reeditada no Brasil. Livros referenciais para os amantes do conto e da literatura latiniamericana como “O Bestiário”, só podia ser encontrado em sebos e, ainda assim, com relativa dificuldade. Quem tem, não passa a diante.

A editora Civilização Brasileira liberou novas edições para os livros mais importantes do gigante platino. Agora podemos ler e, melhor, ter estes livros completando nossas estantes com edições bem acabadas.

Além disso, a L&PM está lançando, em sua coleção de bolso, uma antologia dedicada ao autor. O conteúdo foi selecionado e organizado por Sérgio Karam e teve nova tradução de Heloisa Jahn especialmente para esta coletânea. Karam é músico e como Cortazar, fã de jazz. Isso torna a seleção feita por ele um tanto mais interessante. “O perseguidor”, inspirado em Charlie Parker, é um exemplo desta relação estreita do autor com a música imprevisível e fantástica (características presentes na literatura de Julio) dos negros americanos.

Enfim, agora nas proximidades do centenário do autor e dos 50 anos de sua obra mais importante (O Jogo da Amarelinha)  ficou mais fácil mergulhar na obra de Cortazar. Seja para um banho rápido na coletãnea da L&PM ou para uma imersão mais profunda nas edições da Civilização Brasileira.

juliocortazar

Sobre escrever V

Posted in Latino-americana, Sobre Escrever on junho 19, 2013 by Leonardo Colucci

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“A trama é o carro-chefe da literatura. Tudo mais – o estilo, a maneira de contar, os experimentos – deve estar a seu serviço.”

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Adolfo Bioy Casares

Aconteceu na Costa Uruguaia

Posted in Latino-americana, literatura, Literatura Fantástica with tags , , , , , on abril 4, 2013 by Leonardo Colucci

A editora dublinense trouxe para o Brasil “A Outra Praia”, obra do argentino Gustavo Nielsen vencedor do prêmio Clarin 2010, um dos mais importantes da literatura portenha.

O livro é uma trama bem construída e envolvente que une duas histórias que têm a fotografia como elo. Antônio, um fotógrafo amador tem o hábito de buscar desconhecidos nas ruas de Buenos Aires e trancar-se no quarto escuro para admirar sua obra. Numa destas incursões pela cidade ele fotografa uma desconhecida que encontra por acaso em um café. A imagem da moça provoca uma mudança na vida de Antônio que desenvolve uma confusa obsessão pela jovem.

A partir daí uma estranha ligação se estabelece entre ambos e os primeiros elementos sobrenaturais começam a aparecer na história. O leitor descobre – quase ao mesmo tempo que Antônio – que os personagens principais da história vivem em dimensões de tempo e espaço diferentes. A conexão entre os “universos paralelos” ocorre através da fotografia, paixão em comum entre eles.

Segundo Nielsen o romance foi escrito em um período de reclusão em uma casa na praia uruguaia de La Pedrera. Esta mesma casa serve de cenário para o clímax da narrativa fantástica do autor portenho. É ali que os dois se encontram e Antônio descobre-se como fantasma no mundo de Lorena. Mundo que ele próprio deixara anos antes por causa de um acidente automobilístico.

Nielsen explora a ambiguidade. Vida e morte, passado e presente, realidade e ficção, concreto e abstrato. Tudo funciona a serviço da trama que se revela (de novo a relação com a fotografia) de maneira surpreendente e muito bem construída.