Arquivo para 1984

Cápsula do Tempo

Posted in Cinema, Clássicos, Literatura Fantástica, Resenha with tags , , , , on abril 28, 2017 by Leonardo Colucci

A Editora Aleph reuniu em um volume todos os contos de Philip Dick adaptados para o cinema com o título sugestivo de “Realidades Adaptadas”.

De “O Vingador do Futuro” a “Agentes do Destino”, passando por “Minority Report”, são 7 contos escritos por volta da década de 1950 e ambientados em um futuro incerto, mas não muito distante – provavelmente nos dias de hoje.

É um tempo dominado por máquinas onde o ser humano busca manter a sua identidade. Porém, há organizações que controlam as informações e interferem na vida das pessoas em uma sociedade cada vez menos livre.

Nesse aspecto social e político, as histórias de Dick encontram alguma semelhança com os clássicos distópicos “1984”, “Admirável Mundo Novo” e “Fahrenheit 451”, porém com uma ênfase cibernética maior.

A parte da enorme relevância sociológica que a análise destes livro promove, é curioso ler no tempo presente o futuro projetado por Dick. Enquanto as previsões sobre comunicação por vídeo e inteligência artificial se confirmaram, os nossos contemporâneos continuam revelando fotos à partir dos negativos. Quer dizer, nem mesmo a genialidade criativa de Dick, que dominava as ciências da sua época, foi capaz de imaginar que utilizaríamos fotos digitais, coisa tão trivial nos dias atuais.

Isso nos leva a pensar: que erros cometeríamos nós, tão familiarizados com as evoluções tecnológicas, se projetássemos um futuro de algumas décadas à frente?

Que tal fazer este exercício e guardá-lo em uma capsula do tempo a ser aberta daqui a, por exemplo, 30 anos?

°C/5 = (°F – 32)/9

Posted in Cinema, literatura with tags , , , on maio 13, 2010 by Leonardo Colucci

Através da fórmula acima descobrimos que 451ºF equivalem a 232ºC. E o que tem isso? É que essa é a temperatura em que os livros pegam fogo…

Fahrenheit 451 é um livro sobre livros. O romance de Ray Bradbury foi publicado em 1953 e embarca em temática semelhante a 1984, publicado 4 anos antes. A exemplo do clássico de George Orwell, Bradbury desenha um futuro onde uma elite dominadora exerce o controle de massa a partir da censura ao livre pensar. Em 451ºF, vivemos num tempo onde os livros são declarados inimigos e como tal devem ser destruídos. O serviço fica a cargo dos bombeiros que, ao receberem denúncias – geralmente anônimas – de que algum indivíduo mantém biblioteca clandestina, deslocam-se imediatamente ao endereço indicado e ateiam fogo aos livros. Essa inversão no papel do bombeiro – que em inglês se chama fireman – é metáfora temporal, uma vez que no futuro de Bradbury as casas possuem tecnologia contra incêncios e os bombeiros ao invés de água expelem querosene por suas mangueiras.

Guy Montag é um bombeiro convicto de seu ofício. Até o dia em que esbarra acidentalmente com uma nova vizinha, a jovem Clarisse McClellan. É a partir das conversas com essa menina extrovertida e curiosa, que começa a transformação de Montag. O bombeiro passa a questionar-se sobre como as pessoas se isolam e o convívio social é quase nulo. Mildred, sua esposa, é o estereótipo da sociedade adormecida neste futuro incerto. Passa os dias interagindo com a televisão – que ocupa três das quatro paredes da sala – com personagens que eles chamam de família. Não demora muito até que Montag roube o seu primeiro livro.

Depois de denunciado por sua mulher, Montag vê sua casa ser queimada (ele já contava com uma pequena biblioteca) e foge para não ser preso, protagonizando a primeira perseguição em rede nacional.

Ele escapa pelo rio e encontra uma comunidade de exilados que vive nos arredores da cidade. Vivem como sem teto e recitam obras inteiras decoradas de memória. É deste lugar que eles assistem a cidade ser destruída por uma guerra meio inexplicada dando-lhes a chance de um recomeço.

Um livro sobre livros. Para refletir sobre a importância da literatura na sociedade.