Assim nascem os blues – Cena IV: Os males de um whisky clandestino

Ele vinha se aproximando lentamente. Coxo, trêmulo e cego, o homem se movia com dificuldade.

Poucos acreditariam que aquela figura abjeta, há pouco fora um dos cantores de blues mais populares da região. Sua fama arrastava pequenas multidões que se espremiam para vê-lo executar a cada semana novas peças de blues cuja interpretação era única. Teatral, emocionada e sensual.

Mas a vida de excessos, às vezes, cobra um preço alto. Para se manter embalado o homem andava sempre alcoolizado. Assim se soltava no palco e nos bastidores. Assim se sentia mais inspirado e mais sedutor. Não faltava quem lhe oferecesse um trago para coloca-lo no clima.

Porém, nem sempre essas bebidas tinham qualidade. Muitas, de fabricação clandestina, continham substâncias perigosas em suas fórmulas. Isso produziu uma legião de pessoas com o sistema nervoso central destruído. E nem o popular bluesman daquele tempo, escapou a este destino.