Eles Sabem o que dizem III

Postado em contos, literatura com as tags , , em janeiro 25, 2012 por lmcolucci

“Palavras, palavras deslocadas e mutiladas, palavras de outros, foi a pobre esmola que lhe deixaram as horas e os séculos”

Joge Luis Borges em “O Imortal”, conto publicado no livro “O Aleph”

Veja mais “gotas de literatura” na seção Conta Gotas deste sítio

Literatura de (com) Humor

Postado em literatura com as tags , , , em novembro 5, 2011 por lmcolucci

Em um bate papo bem informal, o escritor Ernani Ssó e o cartunista Edgar Vasques — que recentemente finalizaram um trabalho juntos; o infanto-juvenil “Com Mil Diabos” — convergiram e divergiram opiniões sobre o humor na literatura.
Para surpresa de quem estava na platéia, Ernani, iniciou sua ponderação dizendo que não existe uma boa literatura de humor e sim, uma literatura COM humor. Com efeito, pois , como na vida, uma boa obra literária deve conter todas as emoções humanas e a uma perfeita dosagem entre drama, comédia e até umas pequenas (ou grandes) tragédias dão realismo ao personagem.
Como exemplo dessa tese o autor citou “Don Quixote”, clássico da literatura universal que não atingiu reconhecimento por ser um livro de humor, mas que apesar disso garante boas e inesquecíveis risadas.
Se Ssó estiver certo — e parece que sim — uma obra completa deveria provocar todas as emoções humanas no leitor. Em maior ou menor grau, conforme o contexto do enredo.

Literatura Fantástica

Postado em literatura, Novos Autores com as tags , , , , , em novembro 3, 2011 por lmcolucci

A 57ª Feira do Livro de Porto Alegre, além de uma Praça da Alfândega transformada – que devolve a amplidão física à Feira, traz outras novidades. Entre elas, estão os dias temáticos. A segunda-feira foi destinada à Literatura Fantástica. Debates abordaram barreiras e preconceitos que o gênero enfrenta no Brasil, embora o interesse entre jovens leitores esteja aparentemente crescendo (não tenho um dado concreto sobre isso no momento).

Convidado pela editora Argonautas, fui conferir o lançamento do 3º Volume da série “Sagas”. O novo título, “O Martelo das Bruxas” reúne 5 contos sobre bruxaria e inquisidores com boas histórias e com qualidade de texto e personagens bem construídos. Ingredientes suficientes para agradar até os leitores que ainda torcem o nariz para este gênero literário.

O fato de alguns livros de fantasia terem se tornado best sellers entre adolescentes contribuiu para a construção da imagem de literatura oportunista e superficial, mas ouvir e ler especialistas no gênero, desfazem este mito e a série Sagas é uma boa oportunidade para revisão de conceitos.

Mostrar ou Contar?

Postado em literatura, Sobre Escrever com as tags , , , , , em outubro 27, 2011 por lmcolucci

Se os livros tocam as pessoas de formas diferentes e se a relação que os leitores têm com a leitura é tão diversa, como, então, classificar a qualidade de uma obra literária? É possível estabelecer critérios simples para “pontuar” um texto? Se as pessoas julgam os livros que lêem a partir de critérios tão disitintos quem tem razão; quem gosta dos best sellers ou quem prefere os clássicos?

Um movimento criado no início do século XX na extinta União Soviética, conhecido como Associação para o Estudo da Linguagem Poética — OPOIAZ, criou um quesito chamado literariedade (em tradução livre) que seria uma espécie de medidor de quão literário um texto era. Este conceito é um tanto complexo e para entendê-lo melhor precisaria colocá-lo no contexto hostórico e social em que este grupo formado em Petesburgo o desenvolveu. Há bons artigos na Internet que revelam ou sintetizam o legado do “Formalismo Russo” para quem quiser aprofundar-se no assunto.

Basicamente, por tratar-se de um conceito acadêmico, as teorias formuladas pelo OPOIAZ não são tão fáceis de aplicar. Entretanto, algumas coisas simples podem ser úteis para separar uma coisa da outra: uma delas é o “Contar” e o “Mostrar”.

Existem duas formas de narrar uma história: a primeira, que é o caminho mais fácil e não requer esforço do autor nem do leitor, é o contar; a segunda, mais difícil para ambos, é o mostrar. Vejamos:

Um autor pode redigir linhas e linhas descrevendo como uma mulher é bonita. Outro pode simplesmente dizer algo do tipo: ”os rapazes sentados à mesa e aqueles que andavam pela calçada acompanharam-na com os olhos quando ela passou”.

Na segunda opção, todos entendemos que trata-se de uma mulher bonita e permite que cada leitor crie a imagem de uma mulher bonita à sua maneira. Ao passo que o primeiro caso podemos até discordar que a descrição feita pelo autor não seja exatamente o nosso padrão de beleza.

Em Memórias do SubSolo o protagonista da novela de Dostoieviski inicia a narrativa dizendo-se um homem atormentado. Nem precisava, pois todas as atitudes e os pensamentos revelados pelo personagem não deixam dúvida de que estamos diante de um homem deprimido, com raiva, com a mente confusa, paranóica, ou, em resumo, atormentado. 

Alguns autores de best seller são capazes de passar o livro inteiro dizendo que um determinado personagem estava nervoso e, no entanto, nenhuma das suas atitudes convencem o leitor mais atento de que o personagem esteja realmente nesse estado.

Um bom autor nos faria concluir que o personagem está nervoso apenas descrevendo seus atos sem, necessariamente, utilizar algum clichê como andar de um lado para o outro ou bater os dedos sobre uma mesa. Isso é mostrar.

Sobre Escrever I

Postado em literatura, Sobre Escrever com as tags , , em outubro 24, 2011 por lmcolucci

[...]

“O menos que um escritor pode fazer, numa época de atrocidades como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos.”

[...] 

Erico Veríssimo em “Solo de Clarineta”

Sem tempo pra ler?

Postado em contos, literatura, Novos Autores com as tags , , em outubro 9, 2011 por lmcolucci

[...]

— O que, exatamente, o senhor não compreendeu?
— Por um instante me pareceu que o senhor propunha comprar meu tempo, literalmente?!
— Sim. E que mal há nisso?
— Que conversa mais absurda! Desde quando é possível para alguém adquirir o tempo de outrem?
— Desculpe, mas isto é um problema meu. Deseja vendê-lo ou não? Pago por minutos e pago muito bem…

[...]

O trecho acima pertence ao conto “Encontros” de Fernando S. e representa uma metáfora da vida moderna, pois narra o diálogo breve de dois homens acerca de um dos grandes males da sociedade atual: a escassez de tempo.
Para ler o conto na íntegra, acesse a página “Convidados” neste mesmo site, ali no menu à direita.

Sobre Diálogos

Postado em Cinema, literatura, Sobre Escrever com as tags , , , em setembro 26, 2011 por lmcolucci

O uso de diálogos em narrativas literárias sempre me pareceu uma ferramenta poderosa na hora de revelar a personalidade de um personagem. Talvez uma forma de pensar a narrativa de ficção sob o prisma do cinema e, mais ainda, do teatro, onde os diálogos são fundamentais.
Assim, sempre refutei as teorias de que o uso do diálogo empobrece o texto e que seria um recurso de autores preguiçosos ou inábeis. Me parecia um certo preconceito.
No entanto, ao ouví-la (a teoria sobre diálogos) de críticos nos quais passei a confiar, resolvi examinar mais atentamente o tema.

Pois bem, ao ler “O sol também se levanta” de Hemingway, entendi o porquê dessa corrente crítica. A capacidade de Hemingway é inegável e notória, assim como “O Sol também…” é um clássico incontestável. Porém, mesmo um mestre como o Hemingway – e numa obra como esta – nos deixa a sensação de que poderia ter feito melhor se reduzisse os diálogos e investisse mais na narração. O livro parece ter sido escrito como roteiro de cinema – e talvez tenha sido, pois foi filamado em 57 pouco tempo após a sua publicação. Sensação estranha…

Por outro lado, há autores que utilizam muito bem este recurso, como Fante por exemplo -, que parece aplicá-lo na medida certa, pois o texto não parece que ficaria melhor sem os diálogos. 

Portanto, use com moderação. Ou lembre-se de Pedro Romero, o toureiro de “O Sol Também se Levanta”, e tenha a sensibilidade de fazer as escolhas certas em cada situação.

Literatura do Pampa

Postado em contos, literatura com as tags , , , , , em setembro 12, 2011 por lmcolucci

Um dos autores que melhor retratou a vida do homem do Pampa, foi Mario Arregui (1917-1985), escritor uruguaio que viveu sua infância e adolescência na zona rural de Trinidad, onde aprendeu a chamada “lida campeira”.  Naturalmente, as experiências desse período geraram material farto para toda a sua produção literária.

Assim, Arregui constituiu-se num nos melhores narradores da cena gaudéria das primeiras décadas do século XX. Sua habilidade na ambientação e caracterização dos personagens, fazem da sua prosa uma leitura agradável pela personiladade dos protagonistas e densa pela tensão da trama em que estão inseridos.

A L&PM editou a coletânea “Cavalos do Amanhecer” – com tradução de Sergio Faraco – que reúne alguns dos melhores contos deste expoente da literatura uruguaia. “Três Homens”, “Os Contrabandistas” e “O Regresso de Ranulfo Gonzalez”, são apenas alguns exemplos da qualidade da obra de Arregui e resumem  a cultura e tradição dos homens que povoam o Pampa há séculos.

Para quem não pode viajar para o interior, a ficção de Mario Arregui é uma excelente opção para estes dias de semana farroupilha.

Eles sabem o que dizem II

Postado em literatura com as tags , em agosto 12, 2011 por lmcolucci

“Creiam-me, o menos mau é recordar; ninguém se fie da felicidade presente; há nela uma gota da baba de Caim.”

Machado de Assis em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”

Veja mais “gotas de literatura” na seção Conta Gotas deste sítio

Todo o dia é dia de Rock

Postado em Cinema, Música, Rock'n'Roll com as tags , , , , , em julho 13, 2011 por lmcolucci

Afinal o que é rock’n'roll?

Ouça os clássicos, leia as biografias e formule a sua resposta.
Para que não haja confusão, clássicos são aqueles que entenderam e personificaram as origens do rock e que resistiram a ação do tempo:
Elvis Presley, Little Richard, Jerry Lee Lewis e Chuck Berry;
Janis Jopplin, Jimi Hendrix e The Doors;
Rolling Stones, Beatles, Creedence e The Who;

Existem outros obviamente, mas não são tantos assim.

Rock’n'Roll é música sem frescura, sem invenção e sem experimentalismo. No máximo um ou outro acorde fora da tríade proposta pelo blues, mas com a mesma intenção e o mesmo efeito que encontramos nas raízes do gênero. Sim pois foi lá no mississipi que os roqueiros beberam e os mais autênticos são os que menos se afastaram de lá.

O dia mundial do rock mereceria uma reflexão mais elaborada, mas como todo o dia é dia de rock, voltaremos ao tema outras vezes. Por hoje, publico uma pequena lista de filmes que estão disponíveis por aí e que são uma boa pedida para celebrar o dia de hoje:

- Great Balls of Fire (A Fera do Rock);

- Stoned;

- BackBeat;

- The Doors;

- Quase Famosos;

- Shout;

- The Wonders;

- A Escola do Rock;

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