Arturo Bandini é um aspirante a escritor que passa por apuros financeiros. Vive num quarto barato de pensão no subúrbio de Los Angeles e está em busca da inspiração para sua grande obra.
Mesmo em situação de total penúria, Arturo Bandini mantém a dignidade. Anda bem vestido e comporta-se como se fosse um escritor consagrado.
Pouco importa se nenhum editor interessa-se por seus originais. Arturo Bandini está certo de que encontrará a história que inscreverá o seu nome no cânone dos escritores respeitáveis.
Em meio a este enredo de pura angústia autoral, que envolve a criação literária, ele conhece e apaixona-se por Camilla. Um amor platônico que ele procura sufocar demonstrando agressividade contra a moça que é garçonete em uma espelunca à qual Bandini não se cansa de freqüentar. Tratando-a com aparente desprezo ele procura fazer prevalecer seu nível intelectual superior, revelando total inabilidade com as mulheres.
E é dessa relação complicada com Camilla que Arturo tira sua inspiração. Levando-nos a crer que lhe faltava justamente o amor para que o seu texto vertesse.
Mas não é apenas nas tramas amorosas — Bandini ainda se envolveria com a misteriosa Vera Rivken — que está a força do romance. É a personalidade dele que faz com que este livro seja cultuado por aqueles que admiram personagens com caráter perturbador e apaixonante.
Peço ajuda de ninguém menos que Charles Bukowsky, que assina o prefácio das edições publicadas a partir de 1980 e sintetiza o impacto que Pergunte ao Pó é capaz de causar já nas primeiras linhas:
“Então, um dia, puxei um livro e o abri, e lá estava. Fiquei parado de pé por um momento, lendo. Como um homem que encontrara ouro no lixão da cidade, levei o livro para uma mesa. As linhas rolavam facilmente através da página, havia um fluxo. Cada linha tinha sua própria energia e era seguida por outra como ela. A própria substância de cada linha dava uma forma à página, uma sensação de algo entalhado ali. E aqui, finalmente, estava um homem que não tinha medo da emoção. O humor e a dor entrelaçados a uma soberba simplicidade. O começo daquele livro foi um milagre arrebatador e enorme para mim.”
[...]
“Sim, Fante causou um importante efeito sobre mim. Não muito depois de ler esses livros, comecei a viver com uma mulher.
Era uma bêbada pior do que eu e tínhamos discussões violentas, e freqüentemente eu berrava para ela: “Não me chame de filho da puta! Eu sou Bandini, Arturo Bandini!”
PS.: Não tem nada a ver, mas escolhendo o título deste post lembrei de um baita som: Comendo Poeira da Estrada, um grande blues da banda Made in Brazil. Ouçam!