Quixote Mexicano

Postado em literatura com as tags , , , , , , , , em Novembro 17, 2009 por lmcolucci

David Toscana ficou conhecido no Brasil após sua participação na Flip há alguns anos. Na ocasião estava sendo lançado no Brasil “O Exército Iluminado”, o qual era comparado a obra de Cervantes. Obviamente os dois romances não se equivalem em importância histórica ou literária, mas sim na trama ou carater de seus personagens, ou melhor ainda, a causa dos protagonistas é de certa forma semelhante.

O auto-denominado General Ignacio Matus – na verdade um professor de história (ou seria de geografia) – inconformado com a tomada do território mexicano pelos americanos, liderou uma revolta armada para tomar devolta as terras que pertenciam ao seu país ainda que isso tivesse acontecido quase um século antes.

O Exército Iluminado trazia em suas fileiras apenas 5 jovens soldados recrutados em um instituto para crianças com problemas mentais. O General Matus os fez sentirem-se de fato especiais, pois, pela primeira vez oferecia àquelas quase crianças algo de que pudessem se orgulhar, ao contrário de “ficarem pintando circulos e quadrados” o dia inteiro.

Outra excentricidade interessante do general foi a maratona imaginária que ele disputou nos jogos de Paris em 1928. Enquanto os atletas olímpicos corriam pelas ruas francesas, Matus percorria os mesmos 42.195 metros na cidade de Monterrey. O professor mexicano completou a prova com um tempo que o colocaria em terceiro lugar na prova parisiense, ao que passou a importunar por carta o corredor americano laureado com bronze para que lhe mandasse a medalha pelo correio.

Ainda que o autor escorregue em algumas passagens onde o raciocínio e, até mesmo o vocabulário, atribuído aos iluminados seja incompatível com o tipo de limitação que eles tinham, é uma leitura muito agradável e de personagens cativantes.

Dentre os iluminados o mais bravo é o Gordo Comodoro, incapaz de entender as regras de uma partida de dominó, mas disposto a cumprir o seu papel na batalha contra os ianques e ser eternizado como herói nacional.

Comodoro me fez lembrar Macário, o garoto criado por Juan Rulfo – magnífico contista mexicano – em um conto de mesmo nome no seu livro “O Planalto em Chamas”. Macário também tem uma percepção diferente da realidade por causa de seus problemas mentais e me parece bem provável que ele tenha influenciado a construção dos iluminados.

Uma Tumba definitiva para Poe

Postado em literatura com as tags , , , em Outubro 25, 2009 por lmcolucci

No ano em que a morte de Edgard Alan Poe faz 160 anos, várias homenagens estãopoe original grave with roses sendo prestadas em diferentes partes do mundo. Na que mais orgulharia o autor de “A Casa de Usher”, 5 cidades americanas disputaram a honra de reter os restos mortais de Poe. Venceu Baltimore, cidade onde ele morreu aos 40 anos e que abriga um Museu dedicado a autor na casa onde ele viveu no final da adolescência.

Quando Allan Poe morreu em 1849, seu falecimento não se tornou público, por isso apenas 10 pessoas participaram da cerimônia de despedida. Então, no início do mês, Baltimore concedeu-lhe o funeral que ele realmente merecia. A mórbida cerimônia, que transferiu os restos mortais de Poe para sua morada definitiva, contou com um caixão tansparente que continha uma réplica da imagem do autor e foi acompanhada por uma legião de fãs da literatura fantástica.

Este traslado deve alterar a rotina do homem conhecido como “Poe Toaster” (em tradução livre, o homem que brinda Poe). Trata-se de um fã desconhecido que deixa uma garrafa de conhaque e rosas no túmulo original do autor. O visitante misterioso sempre aparece quando o cemitério está fechado, nas primeiras horas do dia e seu tributo nunca foi testemunhado por ninguém. Talvez seja um dos personagens prestando homenagem ao seu criador…

O Matador em Porto Alegre

Postado em Cinema, Rock'n'Roll com as tags , , , , , em Setembro 22, 2009 por lmcolucci

Jerry Lee Lewis passou pela capital gaúcha no último dia 16 e mostrou porque chamou seu último trabalho gravado em 2006 de “The last man standing”.

Ao contrário de outros gringos que vêm ao Brasil apenas com a roupa do corpo, Jerry Lee trouxe uma banda de alta qualidade. Mesmo sem muita noção de onde estava, o Matador (the Killer, como se tornou conhecido) deu conta do recado e executou divinamente todos os clássicos que o público esperava ouvir. O show não durou mais do que 45 minutos – o que é compreensível para um senhor de 74 anos – tempo mais do que suficiente para tornar a noite inesquecível. Claro que assistir ao Jerry Lee nestas circunstâncias (anos 2000, América do Sul, etc) é como um prêmio de consolação para quem nasceu na época e no lugar errado. Mas ainda assim vale mais do que horas e horas de outros espetáculos que têm por aí.

Não vai faltar quem critique o som, a duração do show, a pouca interação dele com a platéia (lembrem da idade do homem), mas isso não apaga a emoção de estar diante de uma lenda viva e ouvir os clássicos imortalizados por ele e executados pelo próprio. (Nota: Jerry Lee tocou de verdade e improvisou o tempo todo).

A turnê que passou pelo Brasil é uma das últimas páginas na vida deste cara. As passagens mais marcantes e que definem a personalidade JLL estão no filme “Great Balls of Fire” – ou, “A Fera do Rock” (êta título sem vergonha) em português. Ali, além da personalidade arrogante do astro (interpretado por Dennis Quaid), vemos fatos antológicos como a cena em que ele incendeia o piano durante a execução da música que dá título à cinebiografia. Na ocasião o Matador estava escalado para subir ao palco após a apresentação de Chuck Berry (outra figuraça que andou por aqui este ano). Chuck, no entanto, recusou-se a entrar antes do novato que tinha apenas um clássico. Surpreendentemente o Jerry concordou em “abrir os trabalhos da noite” e aquecer o público para seu colega. Durante os pouco mais de 3 minutos que durou a canção o garoto louro da Lousiana levantou a platéia com uma performance arrebatadora. Antes do final da canção, Jerry Lee ateou fogo ao piano e foi assim que encerrou a sua apresentação. Diante de uma multidão incendiada ele retirou-se do palco e, dirigindo-se ao incrédulo Chuck Berry, disse algo como: “Vá lá, eles são todos seus.”

No link abaixo o clip do filme com Dennis Quaid e o próprio Jerry Lee Lewis:

http://www.youtube.com/watch?v=zUHzsH7kMPw

Cadillac Records

Postado em Blues, Cinema, Rock'n'Roll em Setembro 13, 2009 por lmcolucci

cadillac_recordsO filme Cadillac Records conta a história da Chess, uma gravadora tão importante para a história do blues quanto seus mais famosos ícones. Na película de Darnell Martin é o lendário Willie Dixon (interpretado por Cedric The Entertainer) quem narra a história de Leonard Chess e de como ele reuniu e deu oportunidades a jovens negros que transformariam-se em verdadeiras lendas do blues. Nomes como Muddy Waters, Howling Wolf, Little Walter, Etta James e Chuck Berry frequentaram a pequena sala localizada no nº 2120 da Av. Michigan em Chicago e ali registraram boa parte das gravações mais antológicas do estilo.

O enredo aborda ainda os problemas enfrentados pelos músicos negros na década de 40 e 50, tais como: alcoolismo, preconceito racial, adultério entre outros. Passagens conhecidas, como a rivalidade entre Muddy e Howlling, os problemas de Chuck com a polícia e o fim precoce de Walter são retratados no filme de forma sutil apenas para colocar a história da gravadora no contexto social de seus maiores personagens.

Mas como o mote é o blues, é nesse clima que os quase 120 minutos de filme se desenrolam. Refilmagens de seqüências magníficas como At Last de Etta James interpretada com muita inspiração por Beyonce, que pra mim, até então, não passava de uma dançarina. Quase dá pra acreditar que aquilo seja real.

Por fim, acesse o link abaixo; vale muito a pena.

http://www.sonypictures.com/homevideo/cadillacrecords/

Raul Seixas e Raulzito

Postado em Rock'n'Roll com as tags , , em Agosto 25, 2009 por lmcolucci

RaulzitoAgora no aniversário da morte de Raul Seixas surgem matérias tentando mostrar “o outro lado”, ou a “outra face” do maluco beleza. Uma manobra desonesta para tentar enquadrá-lo em uma categoria um pouco mais normal.
Enquanto era vivo Raulzito reagiu com deboche aqueles que lhe tentaram colar algum rótulo, como na passagem abaixo que faz parte da música “As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor”:

“Raul Seixas e Raulzito
Sempre foram o mesmo homem
Mas pra aprender o jogo dos ratos
Transou com Deus e com o lobisomem”

O Leitor e o Escritor

Postado em Cinema, Sobre Escrever, literatura com as tags , , , em Julho 28, 2009 por lmcolucci

o-leitor-livro

Assisti recentemente ao filme “O Leitor”. O título sugere uma temática interessante e o filme não decepciona.

Os créditos ainda corriam e eu me pensei: este filme deve ter saído de um baita livro. E procurei por alguma informação que confirmasse minha suspeita. De fato, se eu não cruzasse pela seção de Best Sellers das livrarias de cabeça baixa e com certo desdém eu já saberia que sim, este filme é baseado em um romance homônimo.

Como continuei — e continuarei — não prestando atenção aos mais vendidos. Fui para internet e encontrei uma biografia de Bernhard Schlink um autor alemão ainda vivo que tem uma obra extensa que não justifica o fato de eu ainda não conhecê-lo, embora tenha pouco ou quase nada traduzido para o português.

Posso estar sendo injusto com o Sr Schlink, mas li os dois primeiros capítulos do livro e não gostei. Parece que o que tinha de bom mesmo era o enredo. Escrevo este post após pesquisar sua biografia na Wikpedia e tendo lido apenas quatro ou cinco páginas do seu romance. Portanto, se alguém quiser sair em defesa do autor que faça. Talvez eu reveja meus conceitos e me retrate, mas pela amostra que tive não me motivei a ler mais nada. Pelo menos, por enquanto…

As luas de Mempo Giardinelli e Mario Arregui

Postado em contos, literatura com as tags , , , , em Julho 12, 2009 por lmcolucci

A lua exerce fascínio sobre a humanidade desde que o primeiro homem saiu da caverna para contemplar a noite. Desde então muitos acontecimentos são atribuídos a ela. Mito ou não, o fato é que uma bela lua cheia influencia as atitudes dos homens, especialmente daqueles mais sensíveis.

Dois autores latino americanos — um argentino (Mempo Giardinelli) e outro uruguaio (Mario Arregui) — transformaram-na quase em personagem de seus melhores relatos. Luna Caliente de Giardinelli e Lua de Outubro de Arregui, contam como a lua incendiou duas adolescentes e fez com que dois homens experientes, vividos, perdessem a cabeça.

As histórias — separadas por aproximadamente 20 anos, e não mais do que 1000 km — trazem muita semelhança entre si. Em ambas, uma família tradicional recebe em sua residência a visita de um jovem que encanta-se pela filha mais nova de seu anfitrião. As meninas, como que despertas pela lua cheia, insinuam-se para os forasteiros e iniciam um jogo velado de sedução que acaba na cama depois que a família inteira vai dormir. A intensidade do sexo é semelhante e a volúpia das garotas impressiona e extasia seus parceiros.

Os dois homens, Ramiro e Pedro, tem caráter idêntico. Julgam-se garanhões, mas acabam amplamente dominados por suas amantes adolescentes que, apesar da reclusão e isolamento em que vivem, possuem uma personalidade assustadora e uma dose de loucura que é — nas duas narrativas — o ponto alto da história.

Difícil dizer qual dos dois tem o pior destino: se Pedro Arzabal que tem sua cabeça estourada por Niña Leonor ou, Ramiro que vive com o fantasma (!) de Araceli a lhe assombrar por onde quer que ele ande.

O Decálogo do Contista Perfeito

Postado em Sobre Escrever, contos, literatura com as tags , , , , em Junho 21, 2009 por lmcolucci

QuirogaO uruguaio Horácio Quiroga, autor de contos magníficos como “A galinha degolada” e “Almofada de Penas”, é um dos melhores contistas latino-americanos. Além de ter deixado uma obra que serve como referência ou influência para muitos autores elaborou o decálogo reproduzido abaixo. Pouca coisa pode ser acrescentada a este apanhado de valiosas dicas:

I – Crê num mestre — Poe, Maupassant, Kipling, Tchékhov — como na própria divindade.

II – Crê que tua arte é um cume inacessível. Não sonhes dominá-la. Quando puderes fazê-lo, conseguiste sem que tu mesmo o saibas.

III – Resiste tanto quanto possível à imitação, mas imita se o impulso for muito forte. Mais do que qualquer coisa, o desenvolvimento da personalidade é uma longa paciência.

IV – Nutre uma fé cega não na tua capacidade para o triunfo, mas no ardor com que o desejas. Ama tua arte como amas tua amada, dando-lhe todo o coração.

V – Não começa a escrever sem saber, desde a primeira palavra, aonde vais. Num conto bem-feito, as três primeiras linhas têm quase a mesma importância das três últimas.

VI – Se queres expressar com exatidão essa circunstância – “Desde o rio soprava um vento frio” — não há na língua dos homens mais palavras do que estas para expressá-la. Uma vez senhor de tuas palavras, não te preocupes em avaliar se são consoantes ou dissonantes.

VII – Não adjetives sem necessidade, pois serão inúteis as rendas coloridas que venhas a pendurar num substantivo débil. Se dizes o que é preciso, o substantivo, sozinho, terá uma cor incomparável. Mas é preciso achá-lo.

VIII – Toma teus personagens pela mão e leva-os firmemente até o final, sem atentar senão para o caminho que traçaste. Não te distraias vendo o que eles não podem ver ou o que não lhes importa. Não abuses do leitor . Um conto é uma novela depurada de excessos. Considera isso uma verdade absoluta, ainda que não o seja.

IX – Não escrevas sob o império da emoção. Deixa-a morrer, depois a revive. Se és capaz de revivê-la tal como a viveste, chegaste, na arte, à metade do caminho.

X – Ao escrever, não penses em teus amigos, nem na impressão que tua historia causará. Conta, como se teu relato não tivesse interesse senão para o pequeno mundo de teus personagens, e como se tu fosses um deles, pois somente assim obtém-se a vida num conto.

Extremamente Bom e Incrivelmente Doce

Postado em Novos Autores, literatura com as tags , , , em Junho 9, 2009 por lmcolucci

extremamentealtoEu que já havia me surpreendido com o jovem ucraniano Alex em Tudo se Ilumina, de Jonathan Safran Foer, acabo de conhecer o, também apaixonante, Oskar Shell.

Oskar é um menino extremamente inteligente que está incrivelmente triste pela perda do pai, vítima do atentado ao WTC. Na tentativa obsessiva de descobrir como foram os últimos minutos de vida de seu pai, o pequeno Oskar sai pela cidade de Nova Iorque em busca de informações para reconstituir os passos recentes de Thomas Shell, a partir de supostas senhas deixadas pelo pai.

Oskar encontra uma chave e um papel com a palavra black, o que julga ser uma pista deixada intencionalmente por seu pai. Extremamente imaginativo e incrivelmente decidido o menino — com apenas 9 anos — visita todos os Black do catálogo telefônico de NY em busca da explicação para aquela chave. Claro que ele conta com alguns parceiros na jornada aos quais Oskar cativa com sua imaginação e perseverança.

Em rota oposta a de Oskar, está seu avô paterno tentando refazer o caminho de volta à família que abandonara há mais de quarenta anos. O encontro dos dois é inevitável e ocorre de forma angustiante para o leitor que sabe o que passa com o velho e teme pela confusão que esse encontro possa causar na cabeça do menino — sim, neste momento já estamos completamente envolvidos com o garoto.

Extremamente Alto e Incrivelmente Perto é um livro que foge dos padrões formais de edição (típicos do autor), e a adição de folhas rabiscadas, páginas em branco, fontes ilegíveis, somam para o grande prazer que é a literatura de J. S. Foer. Tanto em Tudo se Ilumina, como em Extremamente Alto… os recursos gráficos e a pureza dos personagens emprestam leveza a temas essencialmente pesados e dolorosos.

Você quer mesmo escrever?

Postado em Novos Autores, Sobre Escrever, literatura com as tags , , , , em Maio 26, 2009 por lmcolucci

A literatura está padecendo de mal semelhante ao que a música enfrenta há mais tempo: tá muito fácil escrever e tornar-se escritor virou aspiração de muita gente que nem sequer é um bom leitor. A popularização dos blogs contribui muito para isso. Outro dia o Luis Augusto Fischer anunciou em sua coluna do jornal Zero Hora de Porto Alegre que estava encerrando o seu blog. Os motivos dessa decisão era o baixo nível dos comentários e críticas sem embasamento que seus seguidores postavam livremente ou democraticamente.

Por conta disso, os novos autores, que se valem desta mídia para divulgar suas idéias e seus trabalhos, são vistos com preconceito ou, no mínimo, com desconfiança. Mas isso também é uma simplificação imprecisa. Logo, essa não é toda a verdade. Existe muita coisa boa na web, mas tem que procurar.

O valor de um texto literário está intimamente ligado à honestidade de seu autor… O que o impulsiona a escrever? De onde vêm as suas idéias? O que move os seus pensamentos?

Caio Fernando Abreu, assim socorria um amigo que refletia sobre o ato de escrever:

Você só pode escrever se vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Então vai, remexe fundo… Isso é escrever. Tira sangue com as unhas… Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação.

A seguir, Caio provoca:

É esse tipo de criador que você quer ser? Então entregue-se e pague o preço do pato. Que, frequentemente, é muito caro. Ou você quer fazer uma coisa bem-feitinha pra ser lançada com salgadinhos e uísque suspeito numa tarde amena na Cultura, com todo mundo conhecido fazendo a maior festa? Eu acho que não. Eu conheci / conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos.

Leitores experientes sabem distinguir quem escreve para libertar-se, como sugere Caio, daqueles que o fazem por vaidade.